quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um antigo escrito para desejar a todos Boas Novas!

...foi quando do nada ela apareceu. Teria sido mais um dia comum. Como sempre pessoas jogando seu carteado e tomando aguardente. Seria suspeito e insincero falar agora, logo após o acontecido, mas, a verdade é que, logo quando despertei, senti o cheiro do ar, o calor do sol e pressenti algo diferente, apesar de nunca me deixar levar por isso. Me acomodei no mesmo lugar de sempre, aliás todos ali o fazem. O pedido é desnecessário. Alguns segundos após já posso sentir o gosto forte da cevada em minhas papilas. Foram três copos, me lembro bem, até avistar, surgindo bem distante, uma silhueta. Me chamou a atenção o balanço do corpo. Andava como se dançasse. Neste primeiro momento apenas eu observei. Foi se aproximando, gingando. Logo a silhueta se tornou nítida não só para mim. Alguns olhares foram trocados pelos frenquentadores. Olhares de indagação. Entrou no recinto sem lançar um olhar ou um cumprimento para qualquer um de nós. Apenas se limitou a mudar a estação do rádio antigo, que sempre sintonizava o que ninguém ouvia. Saiu da mesma forma. A silhueta foi deseparecendo aos poucos...  Continuou o dia, as pessoas, mas a música emanava uma suavidade que nunca mais ninguém ali esquecerá.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Poesia(?)*

A cidade aí está.
A cidade aí está, diferente.
Alguém repara,
Ninguém sente.

A cidade ali está.
A cidade ali está, distante.
Alguém se foi,
Todos sentem.

PH
AGOSTO DE 2009

* Escrito no bar Fórmula 1, numa segunda-feira a tarde, esperando começar uma peça de teatro gratuita na Praça Sete, num primeiro dia de férias corpórea.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Pra não dizer que não falei de espinhos...


Termina hoje outro Campeonato.
Encerra-se aqui outro sonho.
Posso dizer que acompanhei bastante minha equipe nesse certame.
Sofri.
Acreditei.
Comemorei.
Fui ao Mineirão 15 vezes.

Faltei a 4 jogos porque não deu para ir mesmo.
Triste final.
Mas, a derrota é para os fortes!
Ano que vem tem mais.
AMO A TI GLORIOSO!!!*

*Homenagem a minha Gaúchinha Colorada que sofreu comigo até ao último minuto do campeonato.  

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

La Berceuse, ou Uma cantiga de ninar





Ou apenas a mulher do carteiro.
Ou, apenas, uma pintura de Van Gogh tendo como modelo a mulher do carteiro?
Ou apenas Roulin, o carteiro.
Retratado num só trato?
Ou apenas há penas?


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tá no Guiness!



Hoje batemos nosso recorde!
Exatos 18 segundos e 43 milésimos conseguimos ficar nos olhando sem rir!
E confesso que foi um sacrífício ficar mirando esses olhinhos de jabuticaba sem sorrir.
Essa brincadeira tem um nome:
Queda de sério.
Pratico ela com amadorismo no meu dia a dia.
Não há como olhar para algumas pessoas e sorrir.
Pior, algumas fogem do meu olhar.
Por isso acho que esse recorde nunca deve ser quebrado!
Com você Bibi o difícil é ficar sério!

domingo, 25 de outubro de 2009

ODE AO GALO!

Difícil como sempre.
Retranca das brabas. Me lembrou um certo timinho.
Mas aí vem a diferença. Uma bola só nos pés dele.
Tardelli = Gol.
Carini faz milagres.
Sorte de campeão!
Nós "Emplumados Cacarejantes" festejamos.
"Vou festejar o teu sofrer, o teu penar!"
E vamos para o Rio!!!!

*Vejam isso: Esse é o cara!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

E agora no Twitter...






Sempre tentando me atualizar com os novos e diversos meios de interação eis que surge este novo canal:


Ali tentarei expressar o inexprimível, o apaixonante, o fervor e a glória de torcer pelo Alvi-Negro das Alterosas!

Mas, fiquem tranquilos, não deixarei de postar crônicas sobre os jogos por aqui.

Saudações !

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ENCASQUEAR


NOVO VERBO

Inventei um novo verbo: Encasquear!
Não me Encasqueio.
Exponho sempre essa geléia mole, meu ser, meus sentimentos, minha vida frágil .
Não criarei escudos, barreiras.
Sofro e sofrerei muito com isso.
Mas ganho muito com essa pureza.
Não me Encasquearei com couraças de besouros.
Prefiro viver com asas de Monarca.

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Perdemos. Ou não...






Começaram melhor.
Fizeram um gol e nada mais.
Time do interior.
Chutões pra lá e pra cá.
Acovardadas.
Assustadas.
Pressão.
E que pressão!!
Segundo tempo inteiro!!!!!!!
E que respeito!
E que retranca!!
As coisas estão mudando...

sábado, 3 de outubro de 2009

Para instigar debate. E nada de ficar em cima do muro! Gostaram ou não e porquê? Sapequem por aí respostas!



Rio 2016, Parte I

Um ponto de vista:

Parabéns Rio de Janeiro!

"Não é novidade nenhuma, desde o anúncio oficial da candidatura do Rio de Janeiro aos jogos olímpicos de 2016, que apoio essa idéia. O Brasil abrigará, na próxima década, os dois maiores eventos esportivos do planeta. E some-se a isso, ainda, os eventos da Fórmula 1 e da Fórmula Indy que acontecerão por aqui.
O Rio é destaque por ser a cidade mais cheia de belezas e, agora, sede olímpica. Significa que durante anos teremos mais empregos, mais dinheiro e mais destaque no mundo. Não existe melhor mídia do que a espontânea, que nesse caso é o esporte.
Muitos podem perguntar: e como fica a corrupção? Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa... como diria Juarez Soares.
Se no Brasil muita coisa já mudou, está ai um ótimo momento para se mudar isso também.
Outros podem argumentar: mas essa grana poderia ir para a Saúde, Educação...
Ai, eu pergunto: se fosse Madri o dinheiro também seria investido na Saúde, Educação...Por aqui?
Estou bem breve porque, agora, caminho pelas ruas de Moema em São Paulo. Vi que a maioria das TVs estava ligada no evento. E é só isso que as pessoas comentam nas ruas. Já é o efeito."


 Escrito por Téo José às 14h52

Rio 2016, Parte II

Outro ponto de vista:

O Rio-2016 e a liberdade de opinião

"Para tristeza dos xiitas, dos que imaginam que os outros sejam tão sabujos como eles são, a discussão em torno da candidatura do Rio para ser sede da Olímpiada de 2016 está sendo exemplar.
Digo e provo.
Eu, por exemplo, sou contra e torço para que daqui a pouco o mundo saiba que a Olímpiada será em Madri, embora deva ser em Chicago.
Terei uma grande surpresa se der Rio, a cidade incomparavelmente mais bonita entre as quatro candidatas, mas num país que nem sequer tem uma Política Esportiva, razão pela qual não merece sediar os Jogos Olímpicos.
Para não falar em superfaturamentos e coisas do gênero.
Mas esta não é posição do Sistema Globo de Rádio ou das Organizações Globo, que apoiam o Rio-2016.
Assim como a "Folha de S. Paulo", ontem, fez editorial apoiando o Rio, mas publicou, em sua primeira página, uma chamada para minha coluna, cujo título era "Nem Rio, nem Brasil".
Se o Rio vencer, não vou ficar triste, e vou me preparar para fiscalizar e cobrar todas as promessas.

Se o Rio perder, não vou ficar feliz, e vou continuar a cobrar uma Política Esportiva que permita, um dia, que o Rio seja sede da Olímpiada."
Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 2 de outubro de 2009.
http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm
Por Juca Kfouri às 00h20

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Novamente Porto Alegre!

POA (Porto Alegre para os mais íntimos) marcou minha alma como um "ferro quente marca o gado". Aliás esta é uma das frases da música que cito abaixo, da banda Graforréia Xilarmônica.
Pretendo usá-la para apresentar expressões tão distantes a nós e que são usuais nas terras do sul.
Detalhe: ouvi-a umas três vezes na noite em que saí por lá. Frisson total, cantada como hino. Ela me pegou pelo pé!

Amigo Punk

Graforréia Xilarmônica

Composição: Frank Jorge / Marcelo Birck

Amigo punk
Escute este meu desabafo
Que a esta altura da manhã
Já não importa o nosso bafo
Pega a chinoca, monta no cavalo
E desbrava esta coxilha
Atravessa a Osvaldo Aranha
E entra no Parque Farroupilha
Amanhecia e tu chegavas em casa com asa
A tua mãe dá bom dia
E se prepara pra marcar
O gado com o ferro em brasa
E não importa se não tem lata de cola
Eu quero agora é sestear no meu pelego
Com meu cavalo galopando campo afora
O meu destino é Woodstock, mas eu chego
Aonde eu ouço a voz da cordeona
Já escuto o gaiteiro puxando o fole
Vai animando a gauderiada no bolicho
Enquanto eu sigo detonando o hardcore

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Mosaico

Remendos de um ser.
Costuras unindo azulejos, cerzindo o fardo.
O fardo que não cerze.
O ser que não fragmenta.
O fardo que não farda.
As costuras que são bem fortes...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vai começar!





Mais um ano!
Mais um festival!
Estarei por lá, novamente, ajudando meu grande amigo Chico Moura na produção!
Espero por vocês!
E sábado tem Lô!
Tomara que a chuva dê um tempo!


terça-feira, 22 de setembro de 2009

E viva Porto Alegre!


Belo fim de semana nos Pampas!
Tudo correu redondamente bem (tirando, claro, o confronto Brasil x Equador, do qual falarei mais tarde), e algumas turbulênciazinhas que faziam Dona Adelaide grudar na cadeira do avião.
Gostaria de homenagear e agradecer pessoas que cruzaram nossos destinos nessa maravilhosa viagem.
À começar pelo Daniel da CVC que nos orientou, deu dicas e conselhos. Pode deixar que te indicarei se me perguntarem sobre alguma empresa de turismo.
Passando pelo Gélson, vulgo “El Loco da Van”, que fez conosco os trajetos aeroporto-hotel-ginásio-hotel-aeroporto. Um gaúcho com alma carioca. Valeram as dicas também cara!
Chegando aos nossos companheiros de jogos. Um grupo bem humorado de paranaenses que encheram meu saco depois que a dupla mineira perdeu. “Ô Mineiro e aquele André Saca Mal e Marcelo Marmelo?” Tive que agüentar. Ao casal carioca simpaticíssimo e fã de tênis, não perdem um confronto, um grande abraço. À paulista mala vai um abracinho também. Para a torcida gaúcha vai uma admiração especial pois torceu como nunca e me impressionou cantando o Hino do Rio Grande do Sul a plenos pulmões, o que me levou a pensar: “Qual o Hino de Minas mesmo?” Cheguei a conclusão que é o do Galo.
Um especial agradecimento para a Rosângela e a Sabrina (minha “Gauchinha Colorada”, que num arroubo de heroísmo tentou resgatar minha bandeira do Galo das mãos de uns anti-desportistas que a tiraram de onde estava amarrada dizendo que a mesma era dela. Detalhe: estava vestida de Inter dos pés a cabeça!) que na certa viram que estava meio deslocado no In Sano e me acolheram tão bem neste pub.
Aos funcionários do Porto Alegre Plaza, sempre atenciosos e cordiais.
E a Dona Adelaide sempre e sempre.
Meu carinho e amor a todos.
Aguardem postagem sobre os jogos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Um Conto (Parte II)

Antes da viagem segue mais um capítulo da saga. Para quem não sabe da estória, a primeira parte está aí por baixo.

UM CONTO(Parte II)

       Ao subir a grande escada que o conduziria ao interior da nave, sentiu-se zonzo. Tropeçou no quinto degrau e quase foi levado ao chão.
       Haviam cinco pessoas na fila. Um adolescente com a face cheia de espinhas e muito bem vestido era o próximo. Lembrou de verificar suas roupas. Calçava um sapato muito sujo. A calça estava lavada mas ele não a passara. Nunca passava suas calças jeans. Após, haviam duas senhoras que esfregavam os terços nas mãos com grande aflição. Logo em seguida uma mulher de meia-idade, muito bonita. Não conteve um pensamento de desejo. Se sentiu ridículo e deu uma risadinha nervosa e desajeitada. Este fato chamou a atenção do homem que estava a sua frente. Foi olhado dos pés a cabeça por dois olhos curiosos. Em sua aflição procurou se distrair e contemplar as imagens sacras. Passeou seu olhar pela grande igreja. Concentrou-se primeiramente na imagem de Nossa Senhora, aos pés da qual se estendia uma infinidade de velas. Logo em seguida viu a pia batismal. Olhou para o teto e deparou-se com uma magnífica pintura que lhe fez lembrar dos grandes artistas renascentistas. O homem continuava a observá-lo.
      -Bela obra não acha?-perguntou, mas se arrependeu instataneamente.
      -Oh, sim. Só não concordo muito com a imagem dos anjos.
       Sentiu uma onda de constragimento e arriscou:
      -É, realmente. Parece que as asas não combinam muito com o corpo humano.
      -Ora, a razão não é essa. O problema é que eles sempre aparecem nus. Não vejo nisso uma coisa pura.
      -Oh, é claro. Nunca tinha pensado nisso - e sentiu uma grande vontade de se retirar e fumar um cigarro.
      No mesmo instante o jovem saiu do confessionário e se ajoelhou na terceira fila de bancos que cincundavam o altar. Orava fervorosamente e com a cabeça envolta em suas mãos chorava. Novamente a sensação de retirar-se o afligiu. 



(continua...)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Vou prá Porto Alegre, Tchau!"

Enquanto meu camarada Luizinho, vulgo Cabeção, segue firme para um passeio, e uma missão, trazer 3 pontos do perigoso Náutico Capibaribe, no temido estádio dos Aflitos, sigo em direção oposta. Mas com objetivo tanto quanto difícil. Torcer para nosso país voltar à elite do tênis mundial. Vou com Dona Adelaide, para quem não conhece, minha mãe, que estará mais interessada nas Churrascarias e passeios ao redor da capital. Quanto a mim assistirei aos jogos, conhecerei a noite dos Pampas e, ao verem uma bandeira do Galo dependurada, saibam que este escriba a colocou lá!
Sportv, sexta à partir das 16 hrs, sábado, jogo de duplas ás 14 hrs e domingo ás 16hrs.
Leiam mais:  Brasil na Davis Cup

domingo, 13 de setembro de 2009

Estive lá...

E vencemos...

Algo me diz que seremos campeões...

sábado, 12 de setembro de 2009

E hoje tem Arnaldo!

Em homenagem a ele, ao qual me encontro ouvindo o novo CD "Iê, iê, iê" e verei o show mais tarde, publico este texto, originalmente escrito na Folha de SP em 12/06/95. Abaixo uma bobagem escrita por mim (influenciado, claro, pelo meu mestre), achado dentro do livro "40 escritos" do mesmo Arnaldo.

"O amor, sem palavras. Ou. A palavra amor, sem amor. Sendo amor, ou. A palavra ou. Sem substituir nem ser substuída por. Si, a palavra si, sem ser de si gnada ou gnificada por. O amor. Entre si e o que se. Chama amor, como se. Amasse (esse pedaço de papel escrito amor). Somasse o amor ao nome amor, onde ecoa. O mar, onde some o mar onde soa. A palavra amor, sem palavras."

Frações.
Tempo. Anos. Segundos.
Prontos? ponto.
Minuto oco. Hora preenchida.
Tempo gasto, função cumprida.
Anos passados,
segundos...,  ..., ...,  ..., ...,  ..., ...,  ...,  ...,  ...,  ...,  ...,  ...,  ..., ínfimos,
preenchidos de alguma forma.
Forma?

domingo, 6 de setembro de 2009

Uma partida de xadrez

Do nada aconteceu.
Num bate-papo costumaz surge o encontro.
"Jógo".
Depois de dez minutos estou diante do tabuleiro.
Meu último duelo fôra com o finado Fernando.
Frêmito perante o quadrado preto e branco.
Amo esse jogo.
Jogo com as pretas, uma mexida atrás.
Por desconhecer o adversário sou agressivo,
Abro a Dama.
Abro os Bispos.
Abro as Torres.
Perco um Cavalo (o cara é bom!)
Executo o Roque  para proteger meu Rei.
Dou um check lindo com minha Torre.
O cara se defende atacando.
Titubeio.
Esse cara joga.
Já se passam duas horas de jogo.
Suo e tento desconcentrar nosso amigo.
Impassível.
Trocamos as Damas.
Meus Peões tropeçam.
Um dos meus Bispos entrega-se bestamente.
Meu Rei, ainda escondido, respira ofegante.
Ouço o que não queria: "Chek mate".
Cumprimento-o feliz.
Tenho um parceiro para enfrentar aos domingos de manhã.

sábado, 5 de setembro de 2009

Resposta a um e-mail.

Cara Taty,

Minha programação para hoje seria a de assistir 3 filmes, aa (não é um erro datilografo, apenas uma  forma sutil de não crasear, ou arranhar a garganta, infectá-la de pus, tapar uma voz) começar da Usina, fato esse cumprido.
Só não contava com a porrada na cara que levei do filme.
Que filme louco, pesado e acachapante.
Chama-se Sombras de Philippe Grandrieux.
Não o aconselho a ninguém..
Dizem que a cereja do bolo na Indie deste ano é o Anticristo, de Lars Von Trier.
Amigos, vejam Sombras e arrepiem-se!

domingo, 30 de agosto de 2009

Um conto (Parte I)

Bem garotos e garotas, vamos ao que interessa. Publicarei este conto que foi achado recentemente, perdido na organização do meu armário. Confesso que nem título havia o dado e se encontra incompleto. Por ser um pouco extenso o publicarei dividido em partes, o que não os cansará e me dará tempo para terminá-lo. Espero que apreciem e aguardo sugestões para o título.

UM CONTO
      A noite novamente. Com sua lua (hoje obscurecida, ora sim ora não, por pequenos filetes de nuvens) e seus fantasmas (tão assustadores como antes). A penumbra de uma rua mal iluminada desperta uma estranha sensação. O medo da solidão, ou pior, o medo de encontrar-se com alguém. Passar ao fundo de uma igreja e ser atirado a uma infinidade de idéias e apreciações sobre o que acontece no seu interior. Quantas dores, confissões, uniões, padres, coroinhas, comunhões, desespero, missas, hóstias, vinho, dinheiro. "Há anos não entro em uma", pensou. Não se recriminava. Urinou no muro pichado. Uma leve letargia o envolvia. Gostaria de conversar com o padre. Discutir seria o verbo mais aplicável. "Onde estaria Deus?". Deu a volta no quarteirão e chegou a entrada da igreja. Havia um grupo de mendigos deitados sob uma marquise a uns dez metros de distância. Encostou-se em uma árvore, acendeu um cigarro e ficou a contemplar a monstruosa construção. Automaticamente veio-lhe a imagem de Jesus na cruz. Sangue, coroa de espinhos, dor. Voltou seu olhar para o grupo envolto em cobertores esfarrapados, sujos e mal-cheirosos. Uma ratazana farejava algo próximo a um pé descoberto. Resolveu no outro dia se confessar ao padre.
      Como as outras foi uma noite mal dormida. Ao acordar sentiu repugnância de si próprio. Chorou. Haviam anos que suas lágrimas não escorriam com tamanha volúpia. "A angústia é a pior das sensações". Se sentia preso em sua dor.
      Caminhou até a Igreja resoluto em sua decisão. Se confessara uma vez, quando fizera a primeira comunhão. Dissera: "Padre, sou um pecador. Não rezo à noite, briguei na escola duas vezes e roubei a merenda do Gustavo." Mentira, não havia feito nada disso, só estava preocupado por não ter tido nenhum ato para se arrepender. Mas como chegar no confessionário e ficar calado? O que pensaria o padre? Apropriou-se das palavras de seus colegas que comentavam o que iriam dizer. Após, se sentiu leve e feliz. Podia engolir o corpo do Senhor.

(continua...)
 
     

domingo, 23 de agosto de 2009

Nebulosas...


A Nebulosa Olho de Gato é uma das mais complexas nebulosas planetárias.
Talvez seja um dos mais complexos nebulosos ser-humano.
Sua intricada estrutura teria sido produzida por um sistema binário fechado, em interação, ou por atividade magnética recorrente de uma única estrela.
Minha intrincada estrutura foi produzida por um sistema binário aberto, sem interação nenhuma, com máxima atividade magnética de uma única estrela.
A 3.000 anos-luz de distância, esta nebulosa é esmaecida demais, mesmo para o Telescópio Hubble conseguir boa resolução de sua estrela central.
A 35 anos de existência às vezes me deixo esmaecer, mas minha estrela central cintila ofuscando olhares telescópicos.
Estima-se que o "olho" tenha mais que meio ano-luz de diâmetro, com um halo muito mais extenso, que se estende até o meio interestelar.
Tenho 1,74 de altura, com uma aura muito mais extensa, que se estende além do meio humano.

Informações extraídas da Enciclopédia Ilustrada do Universo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Fiz disso um poema*


Próton
Átomo
Ser Humano
Diâmetro da terra
Distância Terra/Sol
Distância até a estrela mais próxima
Diâmetro da Via Láctea
Distância até a galáxia mais próxima (Andrômeda)
Diâmetro do superaglomerado local de galáxias
Diâmetro observável do Uni(?)...Verso.


*Inspirado em um gráfico intitulado: "Diagrama de escalas de distâncias" do livro "O fim da terra e do céu" do físico brasileiro Marcelo Gleiser.

domingo, 16 de agosto de 2009

Prefácio do livro de Cortázar, o qual leio atualmente

"Que faz um autor com as pessoas vulgares, absolutamente vulgares? Como colocá-las perante seus leitores e como torná-las interessantes? É impossível deixá-las sempre fora da ficção, pois as pessoas vulgares são, em todos os momentos, a chave e o ponto essencial na corrente de assuntos humanos; se as suprimimos, perdemos toda a probabilidade de verdade."

Dostoiévski, O Idiota, IV, I

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Bloggueiro está de férias mas...

Não consigo deixar de falar da minha maior paixão. Minhas pontas de dedos formigam, meu comichão corporal se faz claro no balanceio de meus pés, na minha intolerância, no meu suor, no meu amargor de um resultado que poderia ter sido diferente...
Não fui ao campo, embora continue em BH.
Assisti, de óculos escuros, boné e um cachecol (embora desse me desfiz, pois o frio não era o tão esperado) em lugar furtivo, sem querer encontrar pessoas conhecidas. Estou nessa fase de não querer ter ninguém para me apurrinhar. Ainda mais num jogo como esse.
Demos sorte, num chute do limitadíssimo Éder Luis, e azar numa bela jogada do, na minha opinião, melhor jogador em atuação no Brasil, Diego Souza, para uma cabeçeada quase sem ângulo do Ortizaga, que aliás, só jogou porque Obina, aquele que é melhor do que Eto, se machucou. Oh destino!
Resultado justíssimo no primeiro tempo.
Começo de segundo tempo tenso. O time do Palmeiras sempre perigoso. Juizão querendo parecer tendencioso e eis que, numa jogada de Thiago Feltri surge a nossa chance. Pênalty. Muito bem apitado.
Agora meus principais questionametos: tudo bem que nosso batedor oficial não estava jogando, mas alguém com maior experiência tinha que ter pego a porra da bola debaixo do braço e falado: deixa comigo! E digo isso principalmente ao Sr. Júnior. Eras tú meu amigo que tinha que ter cobrado aquela infração! Ou quem sabe até nosso louco, e na minha concepção indispensável, Welton Felipe! Que fechasse os olhos e enfiasse uma bicuda na esfera! Mas nunca nosso garoto. Admito que não fez uma boa partida, que some muitas vezes durante o jogo. Talvez, claro, pela inexperiência. Não sei se ele pediu para bater. Mas se eu estivesse em campo e fosse um jogador mais vivido falaria ao seu ouvido: "Garoto, deixa essa comigo."
No mais voltamos a segunda colocação e gostei da atitude do Celso Roth de pôr o time para frente procurando a vitória no segundo tempo. Que venha o coringuinha!

Saudações alvi-negras!!!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fritz Lang!

Raridade

Cartaz de Kurt Degen (m. em 1998), do filme realizado por Fritz Lang para a U.F.A..
O filme foi estreado em Berlim a 10 de Janeiro de 1926.
Curisiodade: marco do expressionismo alemão, grande filme de um grande diretor

Da mesma série blog's antigos...

Imagens do Expressionismo




Sombras e mais sombras! Cenas aterrorizantes de filmes que marcaram o movimento alemão. Nosferatu, clássico de Murnau, em uma atuação brilhante de Max Schreck, que chega a beirar a perfeição em seu papel do famigerado Conde Orlok. O Gabinete do Dr. Caligari de Robert Wiene também é um expoente do gênero.

domingo, 9 de agosto de 2009

De um blog antigo meu...


Acabo de ler no caderno Pensar do Estado de Minas, por sinal um belo caderno, artigo assinado por Guilherme Massar Rocha sobre mostra de Leonardo da Vinci em São Paulo. Fiquei curioso sobre uma obra citada, aqui reproduzida acompanhada de trechos da matéria:
"A belíssima Cecilia Gallerani, retratada em 1483, traz nos lábios - e, mais ainda, nos olhos - o esboço de um sorriso não menos enigmático do que aquele que adorna o rosto da protagnista da obra mais famosa do mundo. Amante de Ludovico Sforza, a cobiçada Gallerani traz em seus braços um arminho, um dócil animalzinho de estimação da nobreza milanesa de outrora. Douglas Mannering nos lembra que o arminho era o emblema de Sforza e que, por um "engenhoso jogo de palavras", seu nome podia ser ligado à "Gallerani". Ludovico Sforza, temerário governante milanês e famoso por um temperamento intratável, uma truculência implacável e um ciúme notório aparece docilizado pela mais famosa de suas amantes[...]

[...]e dota o arminho de um semblante diabólico, com o olhar fixado num ponto exterior à tela...

Do meu jornal de hoje.

UI!!!!!!

"O que essas freiras feias sem Deus não entendem é que o que humaniza o ser humano é um equilíbrio sutil entre vícios e virtudes. E, quando estamos diante de neopuritanos, de santos sem Deus, os vícios é que nos salvam. Não quero viver num mundo sem vícios. E quero vivê-lo tomando vinho, vendo o rosto de uma mulher linda e bêbada em meio à fumaça num bistrô."

Luiz Felipe Condé, em análise contrária a lei anti-fumo em São Paulo.

Fragmentos de pensamento num texto composto* escrito no Mercado Central na hora do almoço no intervalo de uma leitura

Hécate tem seu reino no Tártaro, e o ingresso a ele se faz por um bosque de álamos brancos sempre movidos por uma forte brisa.
Sempre me deixo perder por aqui. Ando, viro um corredor, caio em outro, tenho dó dos bichinhos, observo e cheiro. Cheiro mais que observo.
Ficava na confluência dos rios malditos que nossa memória bem recorda: o Estinge, o Aqueronte, o Averno, o Lete. Dante também os nomeia quando fala dos reinos infernais.
Ah agora sim! Uma Brahma por favor. Tudo bem, vai uma Heineken (garrafa bonita!) então. Em pé no balcão, não se esqueçam que é hora do almoço, aliás uma dúvida me aflige no momento: almoço aqui ou no Café Palhares?
Mais além de tais confins se encontra a pradaria de asfódelos e o palácio, onde vivem Hades e Perséfone. Hécate lhes faz companhia, ela que tem o poder de conceder aos mortais qualquer coisa que desejem.
Decido almoçar no Palhares ali pelas duas horas pois as três verei uma peça na Praça Sete. "Espreme que sai sangue", belo título para um espetáculo que fala de jornais.
Hoje é meu verdadeiro primeiro dia de férias depois de uma gripe avassaladora que me acamou por quatro dias. Ao menos não tive febre.
A morada de Hécate era cercada de álamos negros e ciprestes.
Me passa um açougueiro com a blusa que é puro sangue fresco. Cheiro forte.
A confirmação da viagem para Recife em setembro me fez mudar os planos. Tendo a ir para Itabirito, embora me indicaram Catas Altas, num belo e barato passeio de trem, além de um lugarejo próximo que se chega andando e é cheio de cachoeiras. Pode ser. Tenho tempo para pensar...
Mas Hécate vinha a Terra com muito mais frequência que Hades ou Perséfone: precisamente há cada vinte e oito dias.
Kit feijoada para seis pessoas. Interessante isso.
Depois da peça, antigo galpão 104 tecidos, outra Praça, agora a da estação. Performaces.
Estrangeiros deslumbrados passam por mim.
A língua do meu tênis se soltou do mesmo. Penso em arrancar a outra.
Por isso em suas aparições essa Lilith grega espalhou terror: é aquela que fere de longe, a seu bel-prazer.
Ai, ai, esse lugar desentope qualquer nariz.
Bye, bye garotos.
Ainda preciso ler meu jornal.

*Trechos extraídos do livro: Lilith, a lua negra, de Roberto Sicuteri, gentilmente emprestado pelo grande amigo Eduardo, mais conhecido como Dudu, que circula ali pelas bandas do bar do Derli, os quais indico a todos. O livro, o bar e o amigo.

MARCO ZERO

Me assumi como senhor das Letras!
Preciso emendá-las, encaixá-las, uma após outra, com sentido, sem sentido, sentindo.
Me assumo.
Não pararei mais.
Comprei a briga.
Qualquer coisa reclamem comigo.