domingo, 9 de agosto de 2009

De um blog antigo meu...


Acabo de ler no caderno Pensar do Estado de Minas, por sinal um belo caderno, artigo assinado por Guilherme Massar Rocha sobre mostra de Leonardo da Vinci em São Paulo. Fiquei curioso sobre uma obra citada, aqui reproduzida acompanhada de trechos da matéria:
"A belíssima Cecilia Gallerani, retratada em 1483, traz nos lábios - e, mais ainda, nos olhos - o esboço de um sorriso não menos enigmático do que aquele que adorna o rosto da protagnista da obra mais famosa do mundo. Amante de Ludovico Sforza, a cobiçada Gallerani traz em seus braços um arminho, um dócil animalzinho de estimação da nobreza milanesa de outrora. Douglas Mannering nos lembra que o arminho era o emblema de Sforza e que, por um "engenhoso jogo de palavras", seu nome podia ser ligado à "Gallerani". Ludovico Sforza, temerário governante milanês e famoso por um temperamento intratável, uma truculência implacável e um ciúme notório aparece docilizado pela mais famosa de suas amantes[...]

[...]e dota o arminho de um semblante diabólico, com o olhar fixado num ponto exterior à tela...

Do meu jornal de hoje.

UI!!!!!!

"O que essas freiras feias sem Deus não entendem é que o que humaniza o ser humano é um equilíbrio sutil entre vícios e virtudes. E, quando estamos diante de neopuritanos, de santos sem Deus, os vícios é que nos salvam. Não quero viver num mundo sem vícios. E quero vivê-lo tomando vinho, vendo o rosto de uma mulher linda e bêbada em meio à fumaça num bistrô."

Luiz Felipe Condé, em análise contrária a lei anti-fumo em São Paulo.

Fragmentos de pensamento num texto composto* escrito no Mercado Central na hora do almoço no intervalo de uma leitura

Hécate tem seu reino no Tártaro, e o ingresso a ele se faz por um bosque de álamos brancos sempre movidos por uma forte brisa.
Sempre me deixo perder por aqui. Ando, viro um corredor, caio em outro, tenho dó dos bichinhos, observo e cheiro. Cheiro mais que observo.
Ficava na confluência dos rios malditos que nossa memória bem recorda: o Estinge, o Aqueronte, o Averno, o Lete. Dante também os nomeia quando fala dos reinos infernais.
Ah agora sim! Uma Brahma por favor. Tudo bem, vai uma Heineken (garrafa bonita!) então. Em pé no balcão, não se esqueçam que é hora do almoço, aliás uma dúvida me aflige no momento: almoço aqui ou no Café Palhares?
Mais além de tais confins se encontra a pradaria de asfódelos e o palácio, onde vivem Hades e Perséfone. Hécate lhes faz companhia, ela que tem o poder de conceder aos mortais qualquer coisa que desejem.
Decido almoçar no Palhares ali pelas duas horas pois as três verei uma peça na Praça Sete. "Espreme que sai sangue", belo título para um espetáculo que fala de jornais.
Hoje é meu verdadeiro primeiro dia de férias depois de uma gripe avassaladora que me acamou por quatro dias. Ao menos não tive febre.
A morada de Hécate era cercada de álamos negros e ciprestes.
Me passa um açougueiro com a blusa que é puro sangue fresco. Cheiro forte.
A confirmação da viagem para Recife em setembro me fez mudar os planos. Tendo a ir para Itabirito, embora me indicaram Catas Altas, num belo e barato passeio de trem, além de um lugarejo próximo que se chega andando e é cheio de cachoeiras. Pode ser. Tenho tempo para pensar...
Mas Hécate vinha a Terra com muito mais frequência que Hades ou Perséfone: precisamente há cada vinte e oito dias.
Kit feijoada para seis pessoas. Interessante isso.
Depois da peça, antigo galpão 104 tecidos, outra Praça, agora a da estação. Performaces.
Estrangeiros deslumbrados passam por mim.
A língua do meu tênis se soltou do mesmo. Penso em arrancar a outra.
Por isso em suas aparições essa Lilith grega espalhou terror: é aquela que fere de longe, a seu bel-prazer.
Ai, ai, esse lugar desentope qualquer nariz.
Bye, bye garotos.
Ainda preciso ler meu jornal.

*Trechos extraídos do livro: Lilith, a lua negra, de Roberto Sicuteri, gentilmente emprestado pelo grande amigo Eduardo, mais conhecido como Dudu, que circula ali pelas bandas do bar do Derli, os quais indico a todos. O livro, o bar e o amigo.

MARCO ZERO

Me assumi como senhor das Letras!
Preciso emendá-las, encaixá-las, uma após outra, com sentido, sem sentido, sentindo.
Me assumo.
Não pararei mais.
Comprei a briga.
Qualquer coisa reclamem comigo.