domingo, 30 de agosto de 2009

Um conto (Parte I)

Bem garotos e garotas, vamos ao que interessa. Publicarei este conto que foi achado recentemente, perdido na organização do meu armário. Confesso que nem título havia o dado e se encontra incompleto. Por ser um pouco extenso o publicarei dividido em partes, o que não os cansará e me dará tempo para terminá-lo. Espero que apreciem e aguardo sugestões para o título.

UM CONTO
      A noite novamente. Com sua lua (hoje obscurecida, ora sim ora não, por pequenos filetes de nuvens) e seus fantasmas (tão assustadores como antes). A penumbra de uma rua mal iluminada desperta uma estranha sensação. O medo da solidão, ou pior, o medo de encontrar-se com alguém. Passar ao fundo de uma igreja e ser atirado a uma infinidade de idéias e apreciações sobre o que acontece no seu interior. Quantas dores, confissões, uniões, padres, coroinhas, comunhões, desespero, missas, hóstias, vinho, dinheiro. "Há anos não entro em uma", pensou. Não se recriminava. Urinou no muro pichado. Uma leve letargia o envolvia. Gostaria de conversar com o padre. Discutir seria o verbo mais aplicável. "Onde estaria Deus?". Deu a volta no quarteirão e chegou a entrada da igreja. Havia um grupo de mendigos deitados sob uma marquise a uns dez metros de distância. Encostou-se em uma árvore, acendeu um cigarro e ficou a contemplar a monstruosa construção. Automaticamente veio-lhe a imagem de Jesus na cruz. Sangue, coroa de espinhos, dor. Voltou seu olhar para o grupo envolto em cobertores esfarrapados, sujos e mal-cheirosos. Uma ratazana farejava algo próximo a um pé descoberto. Resolveu no outro dia se confessar ao padre.
      Como as outras foi uma noite mal dormida. Ao acordar sentiu repugnância de si próprio. Chorou. Haviam anos que suas lágrimas não escorriam com tamanha volúpia. "A angústia é a pior das sensações". Se sentia preso em sua dor.
      Caminhou até a Igreja resoluto em sua decisão. Se confessara uma vez, quando fizera a primeira comunhão. Dissera: "Padre, sou um pecador. Não rezo à noite, briguei na escola duas vezes e roubei a merenda do Gustavo." Mentira, não havia feito nada disso, só estava preocupado por não ter tido nenhum ato para se arrepender. Mas como chegar no confessionário e ficar calado? O que pensaria o padre? Apropriou-se das palavras de seus colegas que comentavam o que iriam dizer. Após, se sentiu leve e feliz. Podia engolir o corpo do Senhor.

(continua...)
 
     

domingo, 23 de agosto de 2009

Nebulosas...


A Nebulosa Olho de Gato é uma das mais complexas nebulosas planetárias.
Talvez seja um dos mais complexos nebulosos ser-humano.
Sua intricada estrutura teria sido produzida por um sistema binário fechado, em interação, ou por atividade magnética recorrente de uma única estrela.
Minha intrincada estrutura foi produzida por um sistema binário aberto, sem interação nenhuma, com máxima atividade magnética de uma única estrela.
A 3.000 anos-luz de distância, esta nebulosa é esmaecida demais, mesmo para o Telescópio Hubble conseguir boa resolução de sua estrela central.
A 35 anos de existência às vezes me deixo esmaecer, mas minha estrela central cintila ofuscando olhares telescópicos.
Estima-se que o "olho" tenha mais que meio ano-luz de diâmetro, com um halo muito mais extenso, que se estende até o meio interestelar.
Tenho 1,74 de altura, com uma aura muito mais extensa, que se estende além do meio humano.

Informações extraídas da Enciclopédia Ilustrada do Universo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Fiz disso um poema*


Próton
Átomo
Ser Humano
Diâmetro da terra
Distância Terra/Sol
Distância até a estrela mais próxima
Diâmetro da Via Láctea
Distância até a galáxia mais próxima (Andrômeda)
Diâmetro do superaglomerado local de galáxias
Diâmetro observável do Uni(?)...Verso.


*Inspirado em um gráfico intitulado: "Diagrama de escalas de distâncias" do livro "O fim da terra e do céu" do físico brasileiro Marcelo Gleiser.

domingo, 16 de agosto de 2009

Prefácio do livro de Cortázar, o qual leio atualmente

"Que faz um autor com as pessoas vulgares, absolutamente vulgares? Como colocá-las perante seus leitores e como torná-las interessantes? É impossível deixá-las sempre fora da ficção, pois as pessoas vulgares são, em todos os momentos, a chave e o ponto essencial na corrente de assuntos humanos; se as suprimimos, perdemos toda a probabilidade de verdade."

Dostoiévski, O Idiota, IV, I

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Bloggueiro está de férias mas...

Não consigo deixar de falar da minha maior paixão. Minhas pontas de dedos formigam, meu comichão corporal se faz claro no balanceio de meus pés, na minha intolerância, no meu suor, no meu amargor de um resultado que poderia ter sido diferente...
Não fui ao campo, embora continue em BH.
Assisti, de óculos escuros, boné e um cachecol (embora desse me desfiz, pois o frio não era o tão esperado) em lugar furtivo, sem querer encontrar pessoas conhecidas. Estou nessa fase de não querer ter ninguém para me apurrinhar. Ainda mais num jogo como esse.
Demos sorte, num chute do limitadíssimo Éder Luis, e azar numa bela jogada do, na minha opinião, melhor jogador em atuação no Brasil, Diego Souza, para uma cabeçeada quase sem ângulo do Ortizaga, que aliás, só jogou porque Obina, aquele que é melhor do que Eto, se machucou. Oh destino!
Resultado justíssimo no primeiro tempo.
Começo de segundo tempo tenso. O time do Palmeiras sempre perigoso. Juizão querendo parecer tendencioso e eis que, numa jogada de Thiago Feltri surge a nossa chance. Pênalty. Muito bem apitado.
Agora meus principais questionametos: tudo bem que nosso batedor oficial não estava jogando, mas alguém com maior experiência tinha que ter pego a porra da bola debaixo do braço e falado: deixa comigo! E digo isso principalmente ao Sr. Júnior. Eras tú meu amigo que tinha que ter cobrado aquela infração! Ou quem sabe até nosso louco, e na minha concepção indispensável, Welton Felipe! Que fechasse os olhos e enfiasse uma bicuda na esfera! Mas nunca nosso garoto. Admito que não fez uma boa partida, que some muitas vezes durante o jogo. Talvez, claro, pela inexperiência. Não sei se ele pediu para bater. Mas se eu estivesse em campo e fosse um jogador mais vivido falaria ao seu ouvido: "Garoto, deixa essa comigo."
No mais voltamos a segunda colocação e gostei da atitude do Celso Roth de pôr o time para frente procurando a vitória no segundo tempo. Que venha o coringuinha!

Saudações alvi-negras!!!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fritz Lang!

Raridade

Cartaz de Kurt Degen (m. em 1998), do filme realizado por Fritz Lang para a U.F.A..
O filme foi estreado em Berlim a 10 de Janeiro de 1926.
Curisiodade: marco do expressionismo alemão, grande filme de um grande diretor

Da mesma série blog's antigos...

Imagens do Expressionismo




Sombras e mais sombras! Cenas aterrorizantes de filmes que marcaram o movimento alemão. Nosferatu, clássico de Murnau, em uma atuação brilhante de Max Schreck, que chega a beirar a perfeição em seu papel do famigerado Conde Orlok. O Gabinete do Dr. Caligari de Robert Wiene também é um expoente do gênero.

domingo, 9 de agosto de 2009

De um blog antigo meu...


Acabo de ler no caderno Pensar do Estado de Minas, por sinal um belo caderno, artigo assinado por Guilherme Massar Rocha sobre mostra de Leonardo da Vinci em São Paulo. Fiquei curioso sobre uma obra citada, aqui reproduzida acompanhada de trechos da matéria:
"A belíssima Cecilia Gallerani, retratada em 1483, traz nos lábios - e, mais ainda, nos olhos - o esboço de um sorriso não menos enigmático do que aquele que adorna o rosto da protagnista da obra mais famosa do mundo. Amante de Ludovico Sforza, a cobiçada Gallerani traz em seus braços um arminho, um dócil animalzinho de estimação da nobreza milanesa de outrora. Douglas Mannering nos lembra que o arminho era o emblema de Sforza e que, por um "engenhoso jogo de palavras", seu nome podia ser ligado à "Gallerani". Ludovico Sforza, temerário governante milanês e famoso por um temperamento intratável, uma truculência implacável e um ciúme notório aparece docilizado pela mais famosa de suas amantes[...]

[...]e dota o arminho de um semblante diabólico, com o olhar fixado num ponto exterior à tela...

Do meu jornal de hoje.

UI!!!!!!

"O que essas freiras feias sem Deus não entendem é que o que humaniza o ser humano é um equilíbrio sutil entre vícios e virtudes. E, quando estamos diante de neopuritanos, de santos sem Deus, os vícios é que nos salvam. Não quero viver num mundo sem vícios. E quero vivê-lo tomando vinho, vendo o rosto de uma mulher linda e bêbada em meio à fumaça num bistrô."

Luiz Felipe Condé, em análise contrária a lei anti-fumo em São Paulo.

Fragmentos de pensamento num texto composto* escrito no Mercado Central na hora do almoço no intervalo de uma leitura

Hécate tem seu reino no Tártaro, e o ingresso a ele se faz por um bosque de álamos brancos sempre movidos por uma forte brisa.
Sempre me deixo perder por aqui. Ando, viro um corredor, caio em outro, tenho dó dos bichinhos, observo e cheiro. Cheiro mais que observo.
Ficava na confluência dos rios malditos que nossa memória bem recorda: o Estinge, o Aqueronte, o Averno, o Lete. Dante também os nomeia quando fala dos reinos infernais.
Ah agora sim! Uma Brahma por favor. Tudo bem, vai uma Heineken (garrafa bonita!) então. Em pé no balcão, não se esqueçam que é hora do almoço, aliás uma dúvida me aflige no momento: almoço aqui ou no Café Palhares?
Mais além de tais confins se encontra a pradaria de asfódelos e o palácio, onde vivem Hades e Perséfone. Hécate lhes faz companhia, ela que tem o poder de conceder aos mortais qualquer coisa que desejem.
Decido almoçar no Palhares ali pelas duas horas pois as três verei uma peça na Praça Sete. "Espreme que sai sangue", belo título para um espetáculo que fala de jornais.
Hoje é meu verdadeiro primeiro dia de férias depois de uma gripe avassaladora que me acamou por quatro dias. Ao menos não tive febre.
A morada de Hécate era cercada de álamos negros e ciprestes.
Me passa um açougueiro com a blusa que é puro sangue fresco. Cheiro forte.
A confirmação da viagem para Recife em setembro me fez mudar os planos. Tendo a ir para Itabirito, embora me indicaram Catas Altas, num belo e barato passeio de trem, além de um lugarejo próximo que se chega andando e é cheio de cachoeiras. Pode ser. Tenho tempo para pensar...
Mas Hécate vinha a Terra com muito mais frequência que Hades ou Perséfone: precisamente há cada vinte e oito dias.
Kit feijoada para seis pessoas. Interessante isso.
Depois da peça, antigo galpão 104 tecidos, outra Praça, agora a da estação. Performaces.
Estrangeiros deslumbrados passam por mim.
A língua do meu tênis se soltou do mesmo. Penso em arrancar a outra.
Por isso em suas aparições essa Lilith grega espalhou terror: é aquela que fere de longe, a seu bel-prazer.
Ai, ai, esse lugar desentope qualquer nariz.
Bye, bye garotos.
Ainda preciso ler meu jornal.

*Trechos extraídos do livro: Lilith, a lua negra, de Roberto Sicuteri, gentilmente emprestado pelo grande amigo Eduardo, mais conhecido como Dudu, que circula ali pelas bandas do bar do Derli, os quais indico a todos. O livro, o bar e o amigo.

MARCO ZERO

Me assumi como senhor das Letras!
Preciso emendá-las, encaixá-las, uma após outra, com sentido, sem sentido, sentindo.
Me assumo.
Não pararei mais.
Comprei a briga.
Qualquer coisa reclamem comigo.